A pesquisa por trás do jogo
O Solvelingua não foi feito no achismo. Cada um dos seus sistemas coloca em prática uma descoberta bem estudada
da pesquisa sobre aquisição de segunda língua. Aqui está o que a pesquisa diz, em palavras simples, e o que
fazemos com isso.
Você aprende com o que consegue entender
As pessoas aprendem um idioma principalmente entendendo mensagens que estão só um pouco acima do seu nível. Se
você conhece cerca de 98% das palavras de um texto, consegue acompanhar e adivinhar o resto. Legendas também
ajudam: estudos que compararam vídeos com e sem legenda descobriram que as legendas melhoram tanto a compreensão
oral quanto o vocabulário.
No Solvelingua: os personagens falam no seu nível e mais devagar quando você pede. As legendas
ajudam no começo e vão sumindo conforme o seu nível sobe.
Krashen, 1985 · Hu & Nation, 2000 · Montero Perez et al., 2013 · Peters & Webb, 2018
É na conversa que a ficha cai
Quando você conversa com alguém e precisa ser entendido, naturalmente confere significados, reformula e percebe
o que falta. Décadas de estudos mostram que esse vaivém melhora a gramática e o vocabulário, e que os ganhos
duram. Falar também te obriga a montar as frases sozinho, o que é diferente de reconhecê-las.
No Solvelingua: você fala ou digita livremente com todo mundo da cidade, sem menus de
múltipla escolha. Os personagens lembram das conversas anteriores e pedem para você explicar melhor quando não
entendem.
Long, 1996 · Swain, 1985 · Mackey, 1999 · Mackey & Goo, 2007
A correção funciona, se você percebe
Corrigir os erros de quem aprende melhora a precisão de forma consistente, em dezenas de estudos. Mas as
correções só ajudam quando são percebidas, e correções rápidas e discretas no meio de uma conversa muitas vezes
passam batido. Corrigir depois de uma tarefa também funciona, e não quebra o ritmo da conversa.
No Solvelingua: depois de cada conversa você vê o que acertou, o que corrigir e o que tentar
da próxima vez. O diário da noite reúne os padrões que continuam aparecendo.
Schmidt, 1990 · Lyster & Ranta, 1997 · Russell & Spada, 2006 · Li, 2010 · Lyster & Saito, 2010 ·
Li, Zhu & Ellis, 2016
As palavras ficam quando você as puxa da memória, com tempo entre uma vez e outra
Procurar uma palavra na hora ajuda você a entender e aprender. Lembrar dela para sempre pede mais duas coisas:
revisões espalhadas no tempo, e lembrar a palavra de verdade em vez de só reler. As palavras de que você precisa
para algo real são as que você lembra melhor.
No Solvelingua: toque em qualquer palavra para ouvir e traduzir. Ela fica salva na sua
coleção, e as palavras que você já conhece voltam nas conversas, mensagens e empregos, então você se lembra
delas usando de verdade.
Laufer & Hulstijn, 2001 · Cepeda et al., 2006 · Abraham, 2008 · Karpicke & Roediger, 2008 · Nation,
2013 · Uchihara et al., 2019
Aprender fazendo coisas de verdade
O ensino de idiomas baseado em tarefas organiza o aprendizado em torno de objetivos reais, como fazer um pedido,
vender algo ou pedir informação na rua, em que o idioma é a ferramenta e não o assunto. Programas feitos assim
mostram efeitos positivos claros. Um método parecido, aprender com comandos e ações, desenvolve rápido a
compreensão oral.
No Solvelingua: tarefas, empregos e hobbies têm todos um objetivo real, cada um com o
vocabulário que aquele trabalho usa de verdade. Seu bichinho só aprende comandos quando você fala no idioma que
está aprendendo.
Asher, 1969 · Ellis, 2003 · Long, 2015 · Bryfonski & McKay, 2019
Morar lá, sem riscos
A gente aprende ao entrar numa comunidade, começando pelas beiradas e indo em direção ao centro. Estudar fora
dá fluência, mas a pesquisa mostra que não é automático: o que importa é quanto contato de verdade você tem com
os moradores. Muitos estudantes no exterior nunca têm o bastante.
No Solvelingua: cada cidade te dá o que um semestre de verdade no exterior muitas vezes não
consegue: moradores pacientes que sempre têm tempo para conversar, dos comerciantes aos colegas de trabalho e
aos amigos.
Lave & Wenger, 1991 · Collentine & Freed, 2004 · Segalowitz & Freed, 2004
A confiança decide se você fala
A ansiedade ao falar um idioma novo é comum, e está ligada a um desempenho menor em quase 20 mil estudantes.
Gostar do que se faz também importa por si só. A decisão de falar depende da confiança e da vontade de
conversar com uma pessoa em especial, e quem aprende segue em frente quando consegue se imaginar no futuro
usando o idioma.
No Solvelingua: não tem reprovação nem plateia. Os personagens são pacientes, e viram pessoas
com quem você quer conversar. A vida nova do seu personagem é o você do futuro que você está construindo.
Horwitz et al., 1986 · MacIntyre et al., 1998 · Dörnyei, 2009 · Dewaele & MacIntyre, 2014 · Teimouri et
al., 2019
Um pouco de gramática ajuda muito
A imersão sozinha não corrige todos os erros de gramática. Resumos de dezenas de estudos mostram que o ensino
explícito e focado traz ganhos grandes e duradouros, principalmente quando mira no que a pessoa está pronta
para aprender em seguida.
No Solvelingua: as aulas grátis e opcionais do centro comunitário se adaptam ao seu nível e aos
erros que você anda cometendo pela cidade.
Vygotsky, 1978 · Norris & Ortega, 2000 · Spada & Tomita, 2010
Jogos, mensagens e personagens com IA
Bons jogos já ensinam bem: você assume um papel, aprende as coisas bem na hora em que precisa, e errar custa
pouco. Quem joga videogame com frequência costuma ter um vocabulário maior. O chat por texto conta como conversa
de verdade, com benefícios parecidos com os de conversar cara a cara. Parceiros de conversa com IA são pacientes
e estão sempre disponíveis, mas os primeiros estudos viram que o interesse caía quando a novidade passava.
No Solvelingua: personagens com memórias, relacionamentos e uma cidade para viver mantêm as
conversas com sentido muito depois que a novidade passa. Mensagens e áudios também contam como prática.
Payne & Whitney, 2002 · Gee, 2003 · Sundqvist & Wikström, 2015 · Ziegler, 2016 · Fryer et al., 2017 ·
Sykes, 2018 · Reinhardt, 2019 · Huang et al., 2022
Onde tomamos cuidado
A pesquisa também aponta armadilhas. Um tradutor pode substituir o aprendizado em vez de apoiá-lo, então o
nosso funciona melhor depois que você tentou sozinho. Correção demais aumenta a ansiedade, então os comentários
focam em poucos padrões por vez. A maioria dos estudos acontece em salas de aula, não em jogos, então planejamos
medir o progresso dos nossos próprios jogadores.
Lee, 2020 · Boers & Faez, 2023
Fontes
Cada artigo de periódico abaixo foi conferido com o seu registro DOI. As referências estão no idioma original.
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